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ANSIEDADE NO IDOSO
Clonazepam no idoso: riscos, demência e como parar com segurança
No idoso, o clonazepam e outros benzodiazepínicos aumentam o risco de sonolência, quedas, confusão e dependência. A ligação com demência é discutida: há estudos com associação, mas sem prova de que o remédio cause a doença. Quem toma há anos não deve parar sozinho. A redução é gradual e combinada com o médico.

O que é benzodiazepínico?
Benzodiazepínicos são remédios calmantes usados para ansiedade, insônia e algumas outras situações. Os mais conhecidos no Brasil são o clonazepam (Rivotril), o alprazolam, o diazepam, o lorazepam e o bromazepam.
Eles agem rápido e trazem alívio real, e é por isso que tanta gente começa a tomar. Muitas pessoas usam há anos, por indicação médica, e não fizeram nada de errado. Com a idade, porém, o corpo passa a lidar pior com esses remédios, e vale rever se ainda fazem sentido.
Clonazepam causa demência?
Não há prova de que o clonazepam ou outros benzodiazepínicos causem demência. Alguns estudos encontraram mais demência em quem usou esses remédios, mas outros não, e a pesquisa ainda é controversa.
Um estudo canadense de 2014 (Billioti de Gage, BMJ) mostrou associação, mais forte com uso prolongado. Já uma coorte americana de 2016 (Gray, BMJ) acompanhou idosos por anos e não encontrou relação com o uso maior e mais longo.
Uma dificuldade desses estudos é que ansiedade, insônia e depressão podem ser sinais bem precoces de uma demência que está começando. Ou seja, às vezes a doença leva ao remédio, e não o contrário. As metanálises seguem divididas.
O que se sabe com segurança: esses remédios pioram a atenção e a memória enquanto estão sendo usados, principalmente no idoso. Se você nota esquecimentos, vale uma avaliação cuidadosa que inclua a revisão dos remédios.
Quais os riscos do clonazepam no idoso?
Os principais riscos são sonolência, quedas, confusão e dependência. Por isso os Critérios de Beers, uma referência internacional sobre remédios em idosos, recomendam evitar o uso sempre que possível nessa faixa etária.
- Quedas e fraturas: o remédio deixa os reflexos mais lentos e o equilíbrio pior, principalmente à noite.
- Sonolência e lentidão durante o dia, que podem atrapalhar a direção de carro.
- Confusão e esquecimento, mais comuns em quem já tem alguma dificuldade de memória.
- Dependência: com o tempo o corpo se acostuma, e parar de repente pode trazer insônia, ansiedade forte e, em casos mais sérios, convulsões.
O risco aumenta quando o benzodiazepínico se soma a álcool, outros calmantes ou remédios para dor.
Como parar o Rivotril com segurança?
A forma segura é reduzir aos poucos, com um plano combinado com o médico. Nunca pare de uma vez por conta própria, principalmente se você toma há muito tempo.
O ritmo da redução é individual. Quem toma há anos costuma precisar de mais tempo, e o plano pode ser ajustado se aparecerem sintomas. Não existe pressa: fazer devagar e bem é o que dá certo.
Informação ajuda muito. No estudo EMPOWER, idosos que receberam material educativo sobre os riscos e um guia de redução gradual conseguiram parar ou diminuir o remédio com muito mais frequência do que quem não recebeu.
Durante a redução, é comum um período de sono mais leve ou ansiedade um pouco maior. Isso costuma passar, e a gente acompanha de perto.
O que usar no lugar do remédio para dormir ou para ansiedade?
O mais importante é tratar a causa que levou ao benzodiazepínico. Muitas vezes é uma ansiedade ou uma insônia que tem tratamento mais seguro para o longo prazo.
- Insônia: a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é o tratamento de primeira escolha e funciona bem em idosos.
- Ansiedade: psicoterapia e, quando indicado, outros remédios com perfil mais adequado para uso prolongado.
- Depressão escondida: às vezes a ansiedade e a insônia são parte de uma depressão, que tem tratamento próprio.
Veja mais sobre ansiedade no idoso e sobre o trabalho do psicogeriatra.
Não pare o benzodiazepínico de uma vez por conta própria. Se houver confusão súbita, convulsão ou uma queda com batida na cabeça, procure o pronto-socorro ou ligue para o SAMU 192.
Para quem cuida
Se seu pai ou sua mãe toma clonazepam há anos, evite brigas e cobranças. O remédio foi receitado por um médico e costuma ter ajudado em algum momento. Ofereça ir junto à consulta, observe sonolência, tropeços e confusão, e nunca retire ou esconda o remédio sem orientação.
PERGUNTAS FREQUENTES
Dúvidas sobre calmantes depois dos 60
Clonazepam causa demência?
Não há prova de que cause. Alguns estudos observacionais mostraram associação e outros não, e parte disso pode ser porque ansiedade e insônia aparecem antes da demência. Mesmo assim, o remédio atrapalha a memória e a atenção enquanto é usado, e vale reavaliar o uso no idoso.
Como parar o Rivotril com segurança?
Com redução gradual e combinada com o médico, nunca de uma vez. O ritmo depende de quanto tempo a pessoa toma e de como ela reage. Tratar a ansiedade ou a insônia que estão por trás ajuda a manter o resultado.
Tomo clonazepam há muitos anos. Ainda dá para parar?
Na maioria das vezes, sim. Pode levar mais tempo, e o plano é feito sem pressa. Muitas pessoas conseguem reduzir ou parar, e várias contam que passam a dormir e pensar melhor.
Posso trocar o clonazepam por outro calmante?
Trocar um benzodiazepínico por outro não resolve os riscos. O melhor caminho é tratar a causa com opções mais seguras, como a TCC para insônia e, se preciso, outros remédios. Isso é decidido na consulta.
Idoso pode tomar Rivotril?
Em algumas situações e por pouco tempo, pode ser usado com cuidado. Para uso contínuo, as referências de geriatria recomendam evitar sempre que possível, por causa de quedas, confusão e dependência.
Quer rever o uso do calmante com calma?
Na consulta, revisamos todos os remédios, entendemos por que o calmante foi começado e montamos um plano seguro, no seu ritmo. A família pode participar.
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Conteúdo revisado por Dr. Thyago Furtado (CRM-SP 194425 · RQE Psiquiatria 71263 · RQE Psicogeriatria 712631). Última revisão: setembro de 2026. As informações desta página são educativas e não substituem a avaliação médica.
Referências
- Billioti de Gage S, et al. Benzodiazepine use and risk of Alzheimer’s disease: case-control study. BMJ. 2014;349:g5205.
- Gray SL, et al. Benzodiazepine use and risk of incident dementia or cognitive decline: prospective population based study. BMJ. 2016;352:i90.
- Penninkilampi R, Eslick GD. A Systematic Review and Meta-Analysis of the Risk of Dementia Associated with Benzodiazepine Use, After Controlling for Protopathic Bias. CNS Drugs. 2018;32(6):485-497.
- Tannenbaum C, et al. Reduction of inappropriate benzodiazepine prescriptions among older adults through direct patient education: the EMPOWER cluster randomized trial. JAMA Intern Med. 2014;174(6):890-8.
- 2023 American Geriatrics Society Beers Criteria Update Expert Panel. American Geriatrics Society 2023 updated AGS Beers Criteria for potentially inappropriate medication use in older adults. J Am Geriatr Soc. 2023;71(7):2052-2081.