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ANSIEDADE NO IDOSO

Clonazepam no idoso: riscos, demência e como parar com segurança

No idoso, o clonazepam e outros benzodiazepínicos aumentam o risco de sonolência, quedas, confusão e dependência. A ligação com demência é discutida: há estudos com associação, mas sem prova de que o remédio cause a doença. Quem toma há anos não deve parar sozinho. A redução é gradual e combinada com o médico.

Senhora idosa colocando um comprimido branco na boca
Foto: Gizem Nikomedi / Unsplash

O que é benzodiazepínico?

Benzodiazepínicos são remédios calmantes usados para ansiedade, insônia e algumas outras situações. Os mais conhecidos no Brasil são o clonazepam (Rivotril), o alprazolam, o diazepam, o lorazepam e o bromazepam.

Eles agem rápido e trazem alívio real, e é por isso que tanta gente começa a tomar. Muitas pessoas usam há anos, por indicação médica, e não fizeram nada de errado. Com a idade, porém, o corpo passa a lidar pior com esses remédios, e vale rever se ainda fazem sentido.

Clonazepam causa demência?

Não há prova de que o clonazepam ou outros benzodiazepínicos causem demência. Alguns estudos encontraram mais demência em quem usou esses remédios, mas outros não, e a pesquisa ainda é controversa.

Um estudo canadense de 2014 (Billioti de Gage, BMJ) mostrou associação, mais forte com uso prolongado. Já uma coorte americana de 2016 (Gray, BMJ) acompanhou idosos por anos e não encontrou relação com o uso maior e mais longo.

Uma dificuldade desses estudos é que ansiedade, insônia e depressão podem ser sinais bem precoces de uma demência que está começando. Ou seja, às vezes a doença leva ao remédio, e não o contrário. As metanálises seguem divididas.

O que se sabe com segurança: esses remédios pioram a atenção e a memória enquanto estão sendo usados, principalmente no idoso. Se você nota esquecimentos, vale uma avaliação cuidadosa que inclua a revisão dos remédios.

Quais os riscos do clonazepam no idoso?

Os principais riscos são sonolência, quedas, confusão e dependência. Por isso os Critérios de Beers, uma referência internacional sobre remédios em idosos, recomendam evitar o uso sempre que possível nessa faixa etária.

  • Quedas e fraturas: o remédio deixa os reflexos mais lentos e o equilíbrio pior, principalmente à noite.
  • Sonolência e lentidão durante o dia, que podem atrapalhar a direção de carro.
  • Confusão e esquecimento, mais comuns em quem já tem alguma dificuldade de memória.
  • Dependência: com o tempo o corpo se acostuma, e parar de repente pode trazer insônia, ansiedade forte e, em casos mais sérios, convulsões.

O risco aumenta quando o benzodiazepínico se soma a álcool, outros calmantes ou remédios para dor.

Como parar o Rivotril com segurança?

A forma segura é reduzir aos poucos, com um plano combinado com o médico. Nunca pare de uma vez por conta própria, principalmente se você toma há muito tempo.

O ritmo da redução é individual. Quem toma há anos costuma precisar de mais tempo, e o plano pode ser ajustado se aparecerem sintomas. Não existe pressa: fazer devagar e bem é o que dá certo.

Informação ajuda muito. No estudo EMPOWER, idosos que receberam material educativo sobre os riscos e um guia de redução gradual conseguiram parar ou diminuir o remédio com muito mais frequência do que quem não recebeu.

Durante a redução, é comum um período de sono mais leve ou ansiedade um pouco maior. Isso costuma passar, e a gente acompanha de perto.

O que usar no lugar do remédio para dormir ou para ansiedade?

O mais importante é tratar a causa que levou ao benzodiazepínico. Muitas vezes é uma ansiedade ou uma insônia que tem tratamento mais seguro para o longo prazo.

  • Insônia: a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é o tratamento de primeira escolha e funciona bem em idosos.
  • Ansiedade: psicoterapia e, quando indicado, outros remédios com perfil mais adequado para uso prolongado.
  • Depressão escondida: às vezes a ansiedade e a insônia são parte de uma depressão, que tem tratamento próprio.

Veja mais sobre ansiedade no idoso e sobre o trabalho do psicogeriatra.

Não pare o benzodiazepínico de uma vez por conta própria. Se houver confusão súbita, convulsão ou uma queda com batida na cabeça, procure o pronto-socorro ou ligue para o SAMU 192.

Para quem cuida

Se seu pai ou sua mãe toma clonazepam há anos, evite brigas e cobranças. O remédio foi receitado por um médico e costuma ter ajudado em algum momento. Ofereça ir junto à consulta, observe sonolência, tropeços e confusão, e nunca retire ou esconda o remédio sem orientação.

PERGUNTAS FREQUENTES

Dúvidas sobre calmantes depois dos 60

Clonazepam causa demência?

Não há prova de que cause. Alguns estudos observacionais mostraram associação e outros não, e parte disso pode ser porque ansiedade e insônia aparecem antes da demência. Mesmo assim, o remédio atrapalha a memória e a atenção enquanto é usado, e vale reavaliar o uso no idoso.

Como parar o Rivotril com segurança?

Com redução gradual e combinada com o médico, nunca de uma vez. O ritmo depende de quanto tempo a pessoa toma e de como ela reage. Tratar a ansiedade ou a insônia que estão por trás ajuda a manter o resultado.

Tomo clonazepam há muitos anos. Ainda dá para parar?

Na maioria das vezes, sim. Pode levar mais tempo, e o plano é feito sem pressa. Muitas pessoas conseguem reduzir ou parar, e várias contam que passam a dormir e pensar melhor.

Posso trocar o clonazepam por outro calmante?

Trocar um benzodiazepínico por outro não resolve os riscos. O melhor caminho é tratar a causa com opções mais seguras, como a TCC para insônia e, se preciso, outros remédios. Isso é decidido na consulta.

Idoso pode tomar Rivotril?

Em algumas situações e por pouco tempo, pode ser usado com cuidado. Para uso contínuo, as referências de geriatria recomendam evitar sempre que possível, por causa de quedas, confusão e dependência.

Quer rever o uso do calmante com calma?

Na consulta, revisamos todos os remédios, entendemos por que o calmante foi começado e montamos um plano seguro, no seu ritmo. A família pode participar.