ANSIEDADE NO IDOSO · CLÍNICA L’AMI
Ansiedade no idoso: como reconhecer e tratar
A ansiedade no idoso costuma aparecer como preocupação excessiva com saúde e família, sintomas no corpo, insônia, medo de cair e vontade de evitar sair de casa. Ela é comum e tem tratamento. Antes, vale investigar causas clínicas, remédios em uso, depressão e alterações de memória, porque tudo isso muda a conduta.
POR ONDE COMEÇAR
Quem está buscando ajuda?

Se é você quem está sentindo
Se você anda preocupado o tempo todo, dorme mal ou sente o coração acelerado sem motivo claro, isso merece atenção. Ansiedade tem tratamento em qualquer idade. Uma boa avaliação ajuda a entender o que está acontecendo e o que pode ser feito.
Se a preocupação é com alguém da família
Talvez você tenha notado que seu pai ou sua mãe liga várias vezes por dia, fala muito de doenças ou deixou de sair com as amigas. Esses sinais costumam ser ansiedade e podem ser tratados. Você pode participar da consulta e ajudar a contar a história.
SINAIS DE ALERTA
Como saber se é ansiedade?
- Preocupação que ocupa boa parte do dia, com saúde, dinheiro ou família
- Aperto no peito, falta de ar, tremor ou tontura sem causa clínica encontrada
- Dificuldade para pegar no sono ou despertar de madrugada pensando em problemas
- Medo de cair que faz a pessoa andar menos ou deixar de sair sozinha
- Evitar compromissos, viagens ou encontros que antes davam prazer
- Irritação, inquietação ou cansaço que não melhora com descanso
- Uso de calmante para dormir por meses, sem reavaliação médica
Dor no peito, falta de ar intensa, palpitação forte ou desmaio precisam de avaliação imediata no pronto-socorro (ou SAMU 192) para descartar infarto, arritmia e outras causas clínicas. Só depois disso se pensa em ansiedade. Se houver ideias de morte ou de não querer mais viver, ligue para o CVV 188 (24h, gratuito).
Como a ansiedade aparece no idoso?
Na pessoa mais velha, a ansiedade aparece mais no corpo e na rotina do que em palavras. Muitos idosos não dizem “estou ansioso”. Dizem que estão com o estômago ruim, que o coração dispara, que não conseguem dormir.
Os sinais mais comuns são:
- Preocupação excessiva com a própria saúde, com os filhos, com os netos ou com dinheiro, mesmo quando está tudo bem.
- Sintomas físicos: aperto no peito, falta de ar, tremor, suor, tontura, intestino solto.
- Insônia, principalmente acordar de madrugada e não conseguir voltar a dormir.
- Medo de cair, que leva a pessoa a andar menos e perder força.
- Evitar sair de casa, dirigir, pegar ônibus ou ir a lugares cheios.
Com o tempo, a vida vai ficando menor. A pessoa sai menos, vê menos gente e isso alimenta ainda mais a ansiedade. O psicogeriatra é o médico que cuida desses quadros na pessoa mais velha.
Qual a diferença entre TAG e síndrome do pânico no idoso?
O TAG é uma preocupação que ocupa o dia inteiro, quase todos os dias, por meses. O pânico vem em crises: de repente, com o corpo em alarme, e passa em minutos.
- Transtorno de ansiedade generalizada (TAG): preocupação constante com saúde, família e dinheiro, difícil de controlar, com tensão muscular, cansaço, irritação e sono ruim. É o transtorno de ansiedade mais frequente depois dos 60 anos.
- Crise e transtorno de pânico: coração disparado, falta de ar, suor, tremor e medo de morrer ou de perder o controle, com pico em poucos minutos. Com o tempo, a pessoa passa a ter medo da próxima crise e deixa de sair sozinha.
Crise de pânico que aparece pela primeira vez depois dos 60 anos é menos comum. Antes de falar em pânico, avaliamos o coração, o pulmão e os remédios em uso. Dor no peito com falta de ar é emergência: procure o pronto-socorro ou ligue para o SAMU 192.
Ansiedade no idoso pode ser sinal de outra doença?
Sim, e por isso a avaliação precisa ser cuidadosa. Em quem começa a ter ansiedade depois dos 60 anos, a primeira pergunta é se existe outra causa por trás.
- Doenças clínicas: alterações da tireoide, arritmias, doenças do pulmão, anemia e dor crônica podem imitar ou piorar a ansiedade.
- Remédios em uso: alguns medicamentos para pressão, asma, corticoides e até descongestionantes podem causar inquietação. Parar um calmante de uma vez também pode dar sintomas parecidos.
- Depressão junto: é muito comum ansiedade e depressão andarem juntas no idoso. Veja mais sobre depressão no idoso.
- Início de demência: preocupação nova, perguntas repetidas e insegurança em tarefas antes simples podem ser os primeiros sinais de uma alteração de memória. Veja também depressão ou demência: como diferenciar e a página sobre demências.
Uma revisão sobre transtornos de ansiedade em idosos mostra que eles são frequentes e aparecem muitas vezes junto com depressão e outras doenças clínicas (Wolitzky-Taylor, 2010). Quando necessário, pedimos exames para esclarecer.
Qual o tratamento da ansiedade no idoso?
O tratamento combina medidas sem remédio e, quando indicado, medicação. A escolha depende da intensidade dos sintomas, das outras doenças e dos remédios que a pessoa já toma.
- Psicoterapia: a terapia cognitivo-comportamental tem bons resultados em idosos com ansiedade (Gould, 2012). Quando faz sentido, encaminhamos para acompanhamento.
- Técnicas psicoterápicas na consulta: aprender a identificar os pensamentos de catástrofe, respiração, exposição gradual ao que dá medo. Veja o passo a passo em técnicas para controlar a ansiedade.
- Atividade física e rotina: caminhar, fazer exercícios de equilíbrio, ter compromissos fixos na semana.
- Sono: horários regulares, menos cochilos longos, cuidado com cafeína e telas à noite.
Quando os sintomas atrapalham a vida, alguns antidepressivos são usados também para ansiedade. Um estudo com idosos com ansiedade generalizada mostrou melhora maior com o remédio do que com placebo (Lenze, 2009). Todo remédio pode ter efeitos colaterais, e a escolha considera as outras doenças e os medicamentos em uso.
Calmantes são seguros para idosos com ansiedade?
Os calmantes do tipo benzodiazepínico aliviam rápido, mas pedem muita cautela na pessoa mais velha. Com o uso prolongado, aumentam o risco de quedas, sonolência, confusão e dependência.
Muita gente toma há anos sem nunca ter reavaliado. A retirada, quando indicada, é feita aos poucos e com acompanhamento, nunca de uma vez. Explicamos isso em detalhe na página sobre benzodiazepínicos no idoso.
NOSSA ABORDAGEM
Como é o cuidado na Clínica L’ami?
- Primeira consulta de 2 horas. Entrevista longa com o paciente e, quando possível, com um familiar. Revisamos a história, os sintomas e o dia a dia.
- Revisão de remédios e exames. Olhamos todos os medicamentos em uso e, quando necessário, pedimos exames para afastar causas clínicas.
- Plano de tratamento. Combinamos orientação, rotina, técnicas psicoterápicas e medicação quando indicada. Encaminhamos para psicoterapia se fizer sentido.
- Consultas de acompanhamento de 1 hora. Acompanhamos a evolução, ajustamos o plano e conversamos com a família sempre que indicado. Presencial ou por telemedicina.
Para quem cuida
Quem convive com um idoso ansioso costuma ouvir as mesmas preocupações muitas vezes por dia, e isso cansa. Tente acolher sem discutir o conteúdo do medo e sem fazer tudo por ele, porque evitar mantém a ansiedade. Anote o que você observa e traga para a consulta. E cuide também de você: sua ajuda funciona melhor quando você está bem.
Quer conversar sobre a ansiedade de você ou de alguém da família?
Na primeira consulta temos tempo para ouvir com calma e montar um plano junto com vocês. Atendimento presencial na Vila Clementino ou por telemedicina.
QUEM ATENDE
Psiquiatras com área de atuação em psicogeriatria

Dr. Thyago Furtado
PSIQUIATRA · PSICOGERIATRIA
CRM-SP 194425 · RQE Psiquiatria 71263 · RQE Psicogeriatria 712631

Dra. Regina Malta
PSIQUIATRA · PSICOGERIATRIA
CRM-SP 167446 · RQE Psiquiatria 71914 · RQE Psicogeriatria 719141
PERGUNTAS FREQUENTES
Dúvidas sobre ansiedade no idoso
Como a ansiedade aparece no idoso?
Aparece muito como sintomas físicos, preocupação constante com saúde e família, insônia, medo de cair e vontade de evitar sair. Muitos idosos não usam a palavra ansiedade e falam só do corpo.
Ansiedade no idoso pode ser sinal de outra doença?
Pode. Tireoide, problemas do coração, remédios em uso, depressão e o início de uma demência podem causar ou piorar a ansiedade. Por isso a avaliação inclui revisão dos remédios e, quando necessário, exames.
Qual a diferença entre TAG e pânico no idoso?
No TAG a preocupação é constante, quase o dia todo, por meses. No pânico a ansiedade vem em crises súbitas, com coração disparado, falta de ar e medo de morrer, que passam em minutos. Crise que começa depois dos 60 anos pede avaliação do coração antes do diagnóstico.
Qual o tratamento da ansiedade no idoso?
Combina psicoterapia, técnicas para lidar com a preocupação, atividade física, cuidado com o sono e, quando indicado, antidepressivos. Calmantes do tipo benzodiazepínico são usados com muita cautela.
Ansiedade é normal na velhice?
Preocupações acontecem em qualquer idade. Quando ocupam boa parte do dia, tiram o sono ou fazem a pessoa deixar de viver a vida, deixam de ser esperadas e merecem avaliação.
Meu pai não quer ir ao psiquiatra. O que faço?
Às vezes ajuda falar dos sintomas que incomodam, como o sono ou o coração acelerado, em vez de usar a palavra psiquiatra. O familiar pode vir junto e a consulta também pode ser por telemedicina.
A consulta é coberta pelo plano de saúde?
O atendimento é particular. Emitimos recibo para pedir reembolso ao plano, quando o contrato prevê.
PARA ENTENDER MELHOR
Conteúdo revisado por Dr. Thyago Furtado (CRM-SP 194425 · RQE Psiquiatria 71263 · RQE Psicogeriatria 712631). Última revisão: setembro de 2026. As informações desta página são educativas e não substituem a avaliação médica.
Referências
- Wolitzky-Taylor KB, et al. Anxiety disorders in older adults: a comprehensive review. Depress Anxiety. 2010;27(2):190-211.
- Lenze EJ, et al. Escitalopram for older adults with generalized anxiety disorder: a randomized controlled trial. JAMA. 2009;301(3):295-303.
- Gould RL, et al. Efficacy of cognitive behavioral therapy for anxiety disorders in older people: a meta-analysis and meta-regression of randomized controlled trials. J Am Geriatr Soc. 2012;60(2):218-29.
- Tannenbaum C, et al. Reduction of inappropriate benzodiazepine prescriptions among older adults through direct patient education: the EMPOWER cluster randomized trial. JAMA Intern Med. 2014;174(6):890-8.
- 2023 American Geriatrics Society Beers Criteria Update Expert Panel. American Geriatrics Society 2023 updated AGS Beers Criteria for potentially inappropriate medication use in older adults. J Am Geriatr Soc. 2023;71(7):2052-2081.