Início › Ansiedade no idoso › Pânico no idoso
ANSIEDADE NO IDOSO
Síndrome do pânico no idoso: como reconhecer a crise e tratar
A crise de pânico é um medo intenso e súbito, com coração disparado, falta de ar, tremor e sensação de morte, que chega ao auge em poucos minutos. No idoso, o transtorno de pânico é menos comum e raramente começa depois dos 60 anos. Por isso, antes do diagnóstico, é preciso avaliar o coração, o pulmão e os remédios em uso.

Na hora da crise (quando o médico já afastou problema no coração)
- Sente-se em um lugar seguro e respire devagar, soltando o ar por mais tempo do que levou para puxar.
- Lembre que a crise sobe, chega ao pico e passa em minutos, mesmo que pareça que não vai passar.
- Traga a atenção para o presente: diga em voz alta cinco coisas que você está vendo ao redor.
- Não tome calmante extra por conta própria.
- Depois que passar, anote o horário, o que estava fazendo e o que sentiu, e leve para a consulta.
- Se os sintomas forem diferentes dos de sempre, com dor no peito forte, falta de ar intensa ou desmaio, ligue para o SAMU 192.
Como é uma crise de pânico no idoso?
A crise começa de repente, muitas vezes sem motivo aparente, e atinge o pico em poucos minutos. Os sintomas mais comuns são:
- coração disparado ou batendo forte;
- falta de ar ou sensação de sufocar;
- aperto ou desconforto no peito;
- tremor, suor, calafrio ou ondas de calor;
- tontura, sensação de desmaio ou de irrealidade;
- formigamento nas mãos ou no rosto;
- medo de morrer, de enlouquecer ou de perder o controle.
Em pessoas mais velhas, os sintomas são parecidos com os dos mais jovens, mas podem ser em menor número e menos intensos (Flint e Gagnon, 2003). Depois da crise, é comum ficar cansado e com medo de que ela volte.
Crise de pânico ou infarto: como saber?
Em casa, não dá para saber com segurança. Os sintomas de uma crise de pânico se parecem muito com os de um infarto ou de uma arritmia, e depois dos 60 anos os problemas do coração são mais frequentes.
Por isso, na primeira crise, ou em qualquer crise diferente das anteriores, o caminho certo é o pronto-socorro. Ir ao hospital e descobrir que não era o coração é o cuidado correto, e ninguém precisa sentir vergonha disso.
Só depois que os exames afastam causas clínicas é que se pensa em pânico. Nessa hora, uma avaliação com o psicogeriatra ajuda a entender o que está acontecendo.
Síndrome do pânico pode começar depois dos 60?
É raro. O transtorno de pânico costuma começar na juventude, e muitas pessoas mais velhas que têm crises já tiveram episódios antes. Quando as crises aparecem pela primeira vez na velhice, é preciso procurar com cuidado outras causas (Flint e Gagnon, 2003):
- Doenças do coração e do pulmão, como arritmias, angina, asma e DPOC.
- Alterações da tireoide e queda de açúcar no sangue.
- Remédios, como broncodilatadores, corticoides e descongestionantes.
- Retirada rápida de calmantes ou de álcool, que pode provocar sintomas muito parecidos. Veja benzodiazepínicos no idoso.
- Depressão, que muitas vezes vem junto. Saiba mais sobre depressão no idoso.
Quando o medo da próxima crise encolhe a vida
Depois de algumas crises, muita gente passa a evitar os lugares onde elas aconteceram ou onde seria difícil pedir ajuda: supermercado, ônibus, igreja, viagens. Com o tempo, a pessoa só sai acompanhada ou deixa de sair. Esse quadro se chama agorafobia.
No idoso, isso pesa ainda mais. Sair menos significa andar menos, perder força e equilíbrio, ver menos gente e ficar mais isolado. Tratar o pânico cedo ajuda a proteger a independência. Veja também a página sobre ansiedade no idoso.
Como é o tratamento da síndrome do pânico no idoso?
O pânico tem tratamento, e a idade não impede a melhora. As duas principais ferramentas são a psicoterapia e os antidepressivos.
- Terapia cognitivo-comportamental: ensina a entender a crise, a lidar com os sintomas do corpo e a voltar aos poucos aos lugares evitados. Em um estudo com pacientes acima de 60 anos, a terapia e um antidepressivo foram melhores do que ficar sem tratamento (Hendriks, 2010).
- Antidepressivos: em geral são preferidos aos calmantes como tratamento de base no idoso. O início costuma ser cuidadoso, porque a pessoa ansiosa sente mais os efeitos das primeiras semanas.
- Calmantes do tipo benzodiazepínico: aliviam a crise, mas no idoso aumentam o risco de quedas, confusão e dependência. Quando usados, é por pouco tempo e com plano de retirada.
Todo remédio pode ter efeitos colaterais, e a escolha considera o coração, as outras doenças e os medicamentos em uso.
Algumas técnicas que ajudam na hora da crise, como a respiração lenta e o A.C.A.L.M.E.-S.E., estão explicadas em técnicas para controlar a ansiedade.
Dor no peito, falta de ar intensa, desmaio, fraqueza em um lado do corpo ou fala enrolada são emergência: ligue para o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro. Na dúvida entre crise de pânico e infarto, trate como emergência.
Para quem cuida
Se você estiver junto durante uma crise, fique perto, fale com calma e em frases curtas e respire devagar junto com a pessoa. Não diga que é bobagem: a sensação de morte é real para quem sente. Se for a primeira crise, ou se houver dor no peito forte, falta de ar intensa ou desmaio, chame o SAMU 192. Depois, ajude a pessoa a voltar aos poucos aos lugares que passou a evitar, em vez de fazer tudo por ela.
PERGUNTAS FREQUENTES
Dúvidas sobre pânico no idoso
Idoso pode ter síndrome do pânico?
Pode, mas é menos comum do que em adultos jovens, e raramente começa depois dos 60 anos. Quando as crises são novas nessa idade, é preciso investigar coração, pulmão, tireoide, remédios e depressão antes do diagnóstico.
Como diferenciar crise de pânico de infarto?
Em casa não dá para diferenciar com segurança. Na primeira crise, ou em uma crise diferente das anteriores, procure o pronto-socorro ou ligue para o SAMU 192. Só depois de afastar problema no coração se pensa em pânico.
Quanto tempo dura uma crise de pânico?
O pico vem em poucos minutos e a crise costuma passar em pouco tempo, deixando cansaço e medo de que volte.
Síndrome do pânico tem cura?
Com tratamento, muitas pessoas deixam de ter crises ou passam a tê-las raramente e mais fracas, e voltam a sair. O acompanhamento ajuda a evitar recaídas.
Calmante resolve a síndrome do pânico?
O calmante alivia a crise na hora, mas não trata a causa e, no idoso, aumenta o risco de quedas, confusão e dependência. O tratamento de base costuma ser psicoterapia e antidepressivo.
As crises estão fazendo alguém da família deixar de sair?
Na primeira consulta, de 2 horas, revisamos a história, os exames e os remédios e montamos um plano junto com vocês. Atendimento presencial na Vila Clementino ou por telemedicina.
LEIA TAMBÉM
Conteúdo revisado por Dr. Thyago Furtado (CRM-SP 194425 · RQE Psiquiatria 71263 · RQE Psicogeriatria 712631). Última revisão: setembro de 2026. As informações desta página são educativas e não substituem a avaliação médica.
Referências
- Flint AJ, Gagnon N. Diagnosis and management of panic disorder in older patients. Drugs Aging. 2003;20(12):881-91.
- Hendriks GJ, et al. A randomized controlled study of paroxetine and cognitive-behavioural therapy for late-life panic disorder. Acta Psychiatr Scand. 2010;122(1):11-9.
- Andreescu C, Varon D. New research on anxiety disorders in the elderly and an update on evidence-based treatments. Curr Psychiatry Rep. 2015;17(7):53.
- Mohlman J, et al. Distinguishing generalized anxiety disorder, panic disorder, and mixed anxiety states in older treatment-seeking adults. J Anxiety Disord. 2004;18(3):275-90.