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DEMÊNCIAS

Como prevenir Alzheimer e outras demências: o que você pode fazer

Não existe forma garantida de prevenir o Alzheimer, mas dá para reduzir o risco. Segundo a Comissão Lancet de 2024, cerca de 45% dos casos de demência estão ligados a 14 fatores modificáveis, como pressão alta, perda auditiva, sedentarismo, tabagismo, depressão e isolamento social. Cuidar deles ajuda em qualquer idade.

Três pessoas idosas caminham juntas em um parque
Foto: Mobio Marketing / Unsplash

Dá para prevenir o Alzheimer?

Dá para reduzir o risco, sem garantia. Idade e genética pesam e não podem ser mudadas. Mesmo assim, uma parte importante dos casos de demência está ligada a fatores que a gente consegue tratar ou controlar.

A Comissão Lancet de 2024, um dos maiores estudos de revisão sobre o tema, estimou que cerca de 45% dos casos de demência no mundo estão potencialmente relacionados a 14 fatores de risco modificáveis.

Esse número é uma estimativa para a população, e cada pessoa tem uma história própria. Ainda assim, a mensagem é animadora: vale a pena se cuidar, e começar hoje faz diferença.

Quais são os 14 fatores de risco para demência?

A Comissão Lancet listou 14 fatores que podem ser modificados ao longo da vida:

  • Baixa escolaridade
  • Perda auditiva sem tratamento
  • Colesterol LDL alto
  • Depressão
  • Trauma na cabeça (traumatismo craniano)
  • Sedentarismo
  • Diabetes
  • Tabagismo
  • Pressão alta
  • Obesidade
  • Consumo excessivo de álcool
  • Isolamento social
  • Poluição do ar
  • Perda visual sem tratamento

Perda auditiva e colesterol LDL alto foram os fatores de maior peso individual na estimativa. Perda visual e LDL entraram na lista pela primeira vez em 2024.

Quais hábitos reduzem o risco de demência?

Os hábitos que protegem o coração também protegem o cérebro. Na prática, o que mais ajuda é:

  • Mexer o corpo: caminhada, dança, hidroginástica, musculação. O ideal é algo regular, que você consiga manter.
  • Parar de fumar: em qualquer idade traz benefício.
  • Beber pouco ou nada: o risco aumenta com o consumo alto e frequente.
  • Manter a cabeça ativa: ler, aprender algo novo, jogos, cursos, trabalho voluntário.
  • Manter contato com pessoas: encontros com amigos, família, grupos da igreja ou do bairro.
  • Dormir bem e tratar ronco com pausas na respiração, se houver.
  • Proteger a cabeça: capacete na bicicleta e cuidado com quedas em casa.

Nenhum desses hábitos sozinho resolve. A soma deles, mantida ao longo dos anos, é o que conta.

Por que tratar pressão, diabetes, colesterol, audição e visão ajuda?

Porque esses problemas, quando ficam sem controle, prejudicam os vasos e a oxigenação do cérebro ou reduzem os estímulos que ele recebe. Tratar é uma das formas mais concretas de diminuir o risco.

  • Pressão, diabetes e colesterol: faça o acompanhamento com seu clínico e tome os remédios como combinado. Um grande estudo americano, o SPRINT MIND, mostrou menos casos de comprometimento cognitivo leve no grupo com pressão mais bem controlada.
  • Audição: se você pede para repetirem, aumenta muito a TV ou evita conversas em grupo, faça uma audiometria. Aparelho auditivo, quando indicado, ajuda a manter a pessoa conversando e participando.
  • Visão: catarata e outros problemas tratáveis merecem atenção. Ver bem ajuda a ler, sair de casa e evitar quedas.

Para a família: muitas vezes o idoso resiste ao aparelho auditivo ou adia a cirurgia de catarata. Vale insistir com carinho.

Depressão e solidão aumentam o risco de demência?

Sim. A depressão e o isolamento social estão entre os 14 fatores de risco, e os dois costumam andar juntos na terceira idade.

Depressão no idoso pode aparecer como desânimo, cansaço, perda de interesse e queixas de memória, sem tanta tristeza aparente. Ela tem tratamento. Saiba mais em depressão no idoso.

Se você perdeu alguém, se aposentou ou passa muito tempo sozinho, buscar companhia e atividades com outras pessoas é uma forma real de cuidar do cérebro.

Se a tristeza vier com pensamentos de morte ou de não querer mais viver, procure ajuda logo: CVV 188 (24h, gratuito), SAMU 192 ou o pronto-socorro mais próximo.

O que o estudo FINGER mostrou?

O estudo FINGER, feito na Finlândia, mostrou que cuidar de várias frentes ao mesmo tempo ajuda a preservar o raciocínio em pessoas com risco aumentado.

Participaram 1.260 pessoas de 60 a 77 anos. Metade recebeu, por 2 anos, orientação de alimentação, exercícios, treino cognitivo e controle de pressão, glicose e peso. Esse grupo teve desempenho melhor nos testes cognitivos do que o grupo que recebeu só orientações gerais de saúde.

A diferença foi modesta, mas consistente. A lição é prática: pequenas mudanças somadas e mantidas valem mais do que uma grande mudança que dura um mês.

Se você já nota esquecimentos que preocupam, uma avaliação de memória ajuda a entender o que está acontecendo e o que dá para fazer agora.

Para quem cuida

Se você cuida de um pai, mãe ou cônjuge, escolha uma ou duas mudanças por vez, como uma caminhada juntos ou marcar a audiometria. Mudanças impostas costumam durar pouco. Incluir a pessoa nas decisões ajuda a manter os novos hábitos.

PERGUNTAS FREQUENTES

Dúvidas sobre prevenção de demência

Dá para prevenir o Alzheimer?

Não existe prevenção garantida, mas é possível reduzir o risco. A Comissão Lancet de 2024 estima que cerca de 45% dos casos de demência estão ligados a 14 fatores modificáveis, como pressão alta, perda auditiva e sedentarismo.

Quais hábitos reduzem o risco de demência?

Atividade física regular, não fumar, beber pouco ou nada, manter a mente ativa, conviver com outras pessoas e dormir bem. Controlar pressão, diabetes e colesterol e tratar a audição e a visão também ajudam.

Quem tem Alzheimer na família também vai ter?

Não necessariamente. Ter parentes com a doença aumenta um pouco o risco na maioria dos casos, mas não define o futuro. Cuidar dos fatores modificáveis vale para todos, com ou sem histórico familiar.

Depois dos 70 ainda adianta mudar os hábitos?

Adianta. O estudo FINGER incluiu pessoas de 60 a 77 anos e mostrou benefício. Tratar perda auditiva, depressão e isolamento, por exemplo, faz sentido em qualquer idade.

Joguinhos de memória no celular previnem demência?

Podem ser uma atividade agradável, mas sozinhos não bastam. O que mais tem respaldo é a combinação de exercício físico, convívio social, controle das doenças e atividades que desafiem a mente, como aprender algo novo.

Quer saber como está o seu risco?

Na consulta de psicogeriatria, revisamos sua saúde, seus remédios e seus hábitos e montamos um plano possível para o seu dia a dia. Atendimento presencial em São Paulo ou por telemedicina.