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DEMÊNCIAS

Esquecimento é normal na velhice? Como saber quando preocupa

Sim, algum esquecimento é normal na velhice: demorar para lembrar um nome, perder os óculos, esquecer um recado e lembrar depois. Preocupa quando o esquecimento aumenta com o tempo, se repete, faz a pessoa perder informações recentes por completo e começa a atrapalhar tarefas do dia a dia, como pagar contas, tomar remédios ou se orientar.

Senhora idosa pensativa, com as mãos entrelaçadas, sentada no sofá
Foto: Vitaly Gariev / Unsplash

Esquecer nomes é sinal de Alzheimer?

Na maioria das vezes, não. Esquecer o nome de alguém e lembrar minutos ou horas depois é uma das queixas mais comuns depois dos 50 anos, e costuma fazer parte do envelhecimento normal do cérebro.

Com a idade, o cérebro fica um pouco mais lento para buscar informações. O nome está lá, só demora a aparecer. Aquela sensação de “está na ponta da língua” é típica disso.

O que chama mais atenção é esquecer quem a pessoa é, esquecer que conversou com ela ontem ou não conseguir aprender nomes novos mesmo com repetição. Aí vale conversar com um médico.

Qual a diferença entre esquecimento normal e sinal de alerta?

A diferença principal está no impacto na vida da pessoa e na evolução ao longo dos meses. Veja alguns exemplos lado a lado:

  • Normal: esquecer onde deixou a chave e achar depois, refazendo o caminho. Alerta: guardar objetos em lugares estranhos e achar que alguém pegou.
  • Normal: esquecer um compromisso e lembrar mais tarde. Alerta: esquecer compromissos com frequência, sem lembrar nem com ajuda.
  • Normal: demorar para achar uma palavra. Alerta: trocar palavras com frequência ou perder o fio da conversa.
  • Normal: errar uma conta de vez em quando. Alerta: não conseguir mais organizar as contas do mês, que sempre fez sozinho.
  • Normal: esquecer o dia da semana e se corrigir. Alerta: se confundir com o mês, o ano ou o lugar onde está.
  • Normal: a própria pessoa reclama da memória. Alerta: a família nota os lapsos e a pessoa minimiza ou não percebe.

Um sinal isolado não fecha diagnóstico. O que pesa é o conjunto, e se ele vem piorando.

O que é comprometimento cognitivo leve?

É um meio do caminho: a memória ou outra função do pensamento está abaixo do esperado para a idade e a escolaridade, mas a pessoa ainda consegue manter a independência no dia a dia.

É frequente. Segundo a diretriz da Academia Americana de Neurologia (Petersen, 2018), atinge cerca de 1 em cada 10 pessoas entre 70 e 74 anos e 1 em cada 4 entre 80 e 84 anos.

Nem todo mundo com comprometimento cognitivo leve evolui para demência. Algumas pessoas ficam estáveis por anos e outras melhoram, principalmente quando a causa é tratável. Por isso a recomendação é acompanhar de perto, revisar remédios, cuidar dos fatores de risco e manter atividade física regular.

Ansiedade, depressão, sono e remédios podem atrapalhar a memória?

Podem, e muito. Uma boa parte das queixas de memória que chegam ao consultório tem uma dessas causas por trás, sozinhas ou somadas.

  • Depressão: no idoso, pode aparecer mais como desânimo, lentidão e falta de concentração do que como tristeza. Às vezes parece demência. Leia mais em depressão ou demência.
  • Ansiedade: a mente ocupada com preocupações presta menos atenção, e o que não foi bem registrado não é lembrado depois. Veja ansiedade no idoso.
  • Sono ruim: insônia, apneia e cochilos longos durante o dia prejudicam a atenção e a fixação da memória.
  • Remédios: alguns calmantes, remédios para dormir, antialérgicos e outros podem deixar o raciocínio mais lento, principalmente quando vários são usados juntos.

Também entram na lista problemas de tireoide, falta de vitamina B12, perda auditiva e visual. A boa notícia é que várias dessas causas melhoram com tratamento.

Quais os primeiros sinais de demência?

Os primeiros sinais costumam ser sutis: esquecer fatos recentes, repetir perguntas, ter dificuldade com tarefas que exigem planejamento e perder o interesse por atividades de que gostava.

Na doença de Alzheimer, a memória recente costuma ser a primeira a falhar. Em outras demências, podem vir antes mudanças de comportamento, alterações na fala, quedas ou alucinações. Saiba mais sobre a doença de Alzheimer.

Para quem é da família: muitas vezes vocês percebem antes da própria pessoa. Anotar exemplos concretos, com data, ajuda bastante na consulta.

Quando procurar uma avaliação de memória?

Vale procurar quando os esquecimentos são frequentes, estão piorando ou já atrapalham a rotina, e também quando a família está preocupada, mesmo que a pessoa ache que está tudo bem.

Na avaliação de memória da Clínica L’ami, a primeira consulta dura 2 horas. Fazemos uma entrevista longa, exame do estado mental, testes cognitivos quando indicados e revisão de todos os remédios em uso. Quando necessário, pedimos exames ou encaminhamos para avaliação neuropsicológica.

Se você está lendo isto por conta própria: procurar ajuda cedo é um jeito de cuidar de si, e muitas vezes a conversa já traz alívio.

Confusão que aparece de repente, em horas ou poucos dias, com sonolência, agitação ou fala enrolada, pede avaliação no mesmo dia. Procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU 192.

Para quem cuida

Se você é filho, filha ou cônjuge e notou mudanças, tente falar com a pessoa com calma, sem tom de acusação. Propor uma “consulta de rotina da memória” costuma funcionar melhor do que falar em demência. Familiares podem participar da consulta e trazer suas observações.

PERGUNTAS FREQUENTES

Dúvidas sobre esquecimento

Esquecer nomes é sinal de Alzheimer?

Geralmente não. Demorar para lembrar um nome e lembrar depois é comum com a idade. Preocupa mais quando a pessoa esquece quem é o outro, esquece conversas inteiras ou não consegue aprender nomes novos.

Quando o esquecimento é preocupante?

Quando é frequente, vem piorando ao longo dos meses e começa a atrapalhar tarefas que a pessoa fazia sozinha, como pagar contas, tomar remédios ou se orientar na rua. Se a família percebe mais do que a própria pessoa, também é um sinal para avaliar.

Quais os primeiros sinais de demência?

Esquecer fatos recentes, repetir perguntas, ter dificuldade para planejar e organizar tarefas, se perder em lugares conhecidos e mudanças de humor ou de comportamento. Os sinais variam conforme o tipo de demência.

Comprometimento cognitivo leve vira demência?

Pode virar, mas nem sempre. Muitas pessoas ficam estáveis por anos, e algumas melhoram quando a causa é tratável. Por isso o acompanhamento regular é recomendado.

Ansiedade pode causar falta de memória?

Pode. A ansiedade reduz a atenção, e o que não foi bem registrado não é lembrado depois. Depressão, sono ruim e alguns remédios também atrapalham a memória.

Preciso levar alguém na consulta?

É recomendado, mas não obrigatório. Um familiar ou pessoa próxima ajuda a contar como era antes e o que mudou. Na Clínica L’ami, família e cuidadores participam sempre que indicado.

Quer tirar a dúvida sobre a memória?

Agende uma avaliação de memória com um dos psicogeriatras da Clínica L’ami. Atendimento presencial na Vila Clementino, em São Paulo, ou por telemedicina.