COMPORTAMENTO NA DEMÊNCIA · CLÍNICA L’AMI

Alteração de comportamento na demência: por que acontece e como lidar

Alterações de comportamento na demência são mudanças como agitação, irritação, desconfiança, apatia, alucinações e noites agitadas. Aparecem em quase todas as pessoas com demência em algum momento. Surgem da doença somada a fatores como dor, infecção, remédios, ambiente e forma de comunicação, e costumam melhorar quando essas causas são tratadas.

POR ONDE COMEÇAR

Quem está buscando ajuda?

Cuidadora segura as mãos de uma senhora idosa sentada na poltrona
Foto: Age Cymru / Unsplash

Você cuida no dia a dia

Você vive as crises de perto: a recusa do banho, a pergunta repetida, a agitação no fim da tarde. Os guias desta página trazem o que fazer na hora e como evitar que se repita.

Você quer entender o que está acontecendo

Você acompanha de longe e às vezes estranha o que ouve sobre seu pai ou sua mãe. Entender por que o comportamento muda ajuda a apoiar quem está em casa e a evitar julgamentos.

SINAIS DE ALERTA

Quando pedir ajuda?

  • Agitação, gritos ou agressividade que se repetem.
  • Andar sem parar, querer ir embora de casa ou sair sozinho.
  • Ver pessoas ou bichos que não estão ali, ou acusar familiares de roubo ou traição.
  • Recusa de banho, comida ou remédios.
  • Troca do dia pela noite ou piora no fim da tarde.
  • Desinteresse por tudo, choro ou tristeza que não passa.
  • Uso de calmantes ou remédios para dormir há muito tempo, sem reavaliação.

Mudança de comportamento que começa de repente, em horas ou poucos dias, pode ser delirium, causado por infecção, desidratação ou remédio. Procure atendimento no mesmo dia. Em caso de queda, febre, sonolência fora do comum ou agressividade com risco, vá ao pronto-socorro ou ligue para o SAMU 192. Se houver falas de querer morrer, ligue também para o CVV 188 (24h, gratuito).

O que são os sintomas comportamentais e psicológicos da demência?

São as mudanças de comportamento, de humor e de percepção que acompanham a demência, além da perda de memória. Os médicos chamam esse grupo de sintomas comportamentais e psicológicos da demência (SCPD), ou BPSD, na sigla em inglês.

Entram nesse grupo:

  • agitação, inquietação e agressividade;
  • apatia e depressão;
  • ansiedade e medo;
  • alucinações e ideias de desconfiança;
  • perambulação, perguntas repetidas e desinibição;
  • alterações do sono e do apetite.

Quase todas as pessoas com demência terão um ou mais desses sintomas ao longo da doença (Kales e colaboradores, 2015). Para muitas famílias, eles pesam mais do que o esquecimento.

Por que a pessoa com demência muda de comportamento?

Porque a doença afeta as áreas do cérebro que controlam emoções, impulsos e a interpretação do que acontece ao redor. Em cima disso, outros fatores costumam disparar ou piorar as crises.

Pense em quatro grupos de causas:

  • A própria doença. O tipo de demência e a fase influenciam. Na demência com corpos de Lewy, por exemplo, alucinações visuais são frequentes. Na demência frontotemporal, a desinibição aparece cedo.
  • O corpo. Dor, intestino preso, infecção urinária, fome, sede, sono ruim, problemas de visão e de audição. A pessoa pode não conseguir dizer o que sente e mostra o desconforto pelo comportamento.
  • Os remédios. Remédios novos, mudanças de dose, calmantes e alguns remédios para bexiga, alergia ou dor podem causar confusão e agitação.
  • O ambiente e a comunicação. Barulho, muita gente, mudança de rotina, pressa, tarefas difíceis demais, discussões e correções constantes.

Quase sempre existe um gatilho. Descobrir qual é faz parte do tratamento.

Alteração de comportamento na demência tem tratamento?

Tem. Na maior parte dos casos, os sintomas diminuem quando a causa é identificada e a forma de cuidar é ajustada. Remédio pode ajudar em situações específicas, mas raramente é a primeira medida.

As estratégias com melhor resultado envolvem orientar e apoiar a família, adaptar a rotina, oferecer atividades que façam sentido para a pessoa, música e contato afetivo. Revisões de estudos mostram que, para agitação e agressividade, essas abordagens sem remédio tiveram resultados iguais ou melhores do que a medicação (Watt e colaboradores, 2019).

Uma pergunta ajuda a decidir o quanto intervir: esse comportamento traz risco ou só incomoda? Quando não há risco, às vezes o melhor é aceitar ou dar uma saída segura. Quem gosta de desmontar objetos, por exemplo, pode receber peças velhas para mexer à vontade.

Quando há risco, sofrimento intenso ou alucinações que angustiam a pessoa, o médico pode indicar medicação, sempre com objetivo claro e reavaliação. Veja mais em remédios para comportamento na demência.

O que é a abordagem DICE e como usar em casa?

DICE é um roteiro de quatro passos, proposto por especialistas em demência, para lidar com um comportamento difícil de forma organizada (Kales e colaboradores, 2014). As letras vêm do inglês: descrever, investigar, criar um plano e avaliar.

  1. Descrever. Anote o que aconteceu, quando, onde, com quem e o que veio antes e depois. Exemplo: “toda vez que tento dar banho às seis da tarde, ela grita e me empurra”.
  2. Investigar. Com o médico, procure causas: dor, infecção, remédio novo, cansaço, horário ruim, água fria, vergonha.
  3. Criar um plano. Mude uma coisa de cada vez. No exemplo, passar o banho para a manhã, aquecer o banheiro e cobrir o corpo com uma toalha.
  4. Avaliar. Depois de alguns dias, veja se melhorou. Se não melhorou, volte ao passo 2.

Depois de cada crise, feche o episódio com carinho: “a gente se desentendeu, mas já passou”. Ele pode esquecer a briga e guardar a sensação de ter sido acolhido. Em seguida, pense com calma no que veio antes, no que funcionou e no que tentar da próxima vez.

Um caderno simples de anotações ajuda muito. Na consulta, esse registro vale mais do que a lembrança do momento.

Qual guia ler para cada tipo de comportamento?

Cada guia traz o que fazer na hora, como prevenir e quando procurar o médico. Escolha o que mais se parece com a situação da sua casa.

  • Agitação e agressividade: como acalmar sem confronto e descobrir o que está por trás da crise.
  • Perambulação: o que fazer quando a pessoa anda sem parar ou tenta sair de casa.
  • Desinibição: como lidar com falas ou atitudes inadequadas sem humilhar ninguém.
  • Recusa do banho: estratégias para tornar a higiene menos assustadora.
  • Alimentação: o que fazer quando a pessoa não quer comer, come demais ou esquece que comeu.
  • Incontinência: como organizar idas ao banheiro e preservar a dignidade.
  • Sono e piora no entardecer: por que a confusão aumenta no fim do dia e como proteger as noites.
  • Alucinações e desconfiança: como responder quando a pessoa vê coisas ou acusa alguém de roubo.
  • Perguntas repetidas: como responder pela décima vez sem perder a paciência.
  • Apatia: o que fazer quando a pessoa perde o interesse por tudo.
  • Depressão na demência: como reconhecer tristeza que precisa de tratamento.
  • Remédios para comportamento: quando a medicação é necessária e quais cuidados ela exige.

NOSSA ABORDAGEM

Como a Clínica L’ami ajuda a família?

  1. Relato da família. Ouvimos com calma quem convive com a pessoa: quais comportamentos, em que horário e o que parece desencadear. Anotações e vídeos curtos ajudam.
  2. Busca de causas. Examinamos a pessoa com demência, revisamos todos os remédios em uso e pedimos exames para procurar dor, infecção e outras causas tratáveis.
  3. Plano combinado. Montamos com a família um plano prático para casa. Remédio entra quando há indicação clara, com objetivo definido e prazo para reavaliar.
  4. Reavaliação. Nas consultas de acompanhamento, vemos o que funcionou e ajustamos. Quando o comportamento melhora, tentamos reduzir ou retirar remédios que já não são necessários.

Para quem cuida

Nenhum cuidador consegue evitar todas as crises, e ninguém precisa dar conta sozinho. Quando o comportamento piorar, tente lembrar que é a doença agindo, sem intenção de provocar você. Respire alguns segundos antes de responder e peça ajuda quando perceber que está no limite. Problemas se resolvem melhor com descanso, então reserve um tempo longe do cuidado sempre que puder.

O comportamento em casa está difícil de manejar?

Na consulta de psicogeriatria, a família tem tempo para contar como são os dias e sai com um plano prático. Presencial em São Paulo ou por telemedicina.

QUEM ATENDE

Psiquiatras com área de atuação em psicogeriatria

Dr. Thyago Furtado, psiquiatra e psicogeriatra

Dr. Thyago Furtado

PSIQUIATRA · PSICOGERIATRIA

CRM-SP 194425 · RQE Psiquiatria 71263 · RQE Psicogeriatria 712631

Dra. Regina Malta, psiquiatra e psicogeriatra

Dra. Regina Malta

PSIQUIATRA · PSICOGERIATRIA

CRM-SP 167446 · RQE Psiquiatria 71914 · RQE Psicogeriatria 719141

PERGUNTAS FREQUENTES

Dúvidas sobre comportamento na demência

Alteração de comportamento significa que a demência piorou?

Nem sempre. Muitas vezes há uma causa por trás, como infecção urinária, dor, intestino preso ou um remédio novo. Tratada a causa, a pessoa pode voltar a ficar como estava antes.

A agressividade na demência é de propósito?

Não. A pessoa perde a capacidade de entender algumas situações e de controlar reações. A agressividade costuma ser uma resposta a medo, dor ou sensação de ameaça, como no banho ou na troca de fralda.

Existe remédio para comportamento na demência?

Existem remédios que ajudam em situações específicas, sempre com indicação médica e reavaliação. Antes deles, o caminho é investigar causas e ajustar a forma de cuidar. Nunca dê calmante por conta própria.

Qual médico trata alteração de comportamento na demência?

O psicogeriatra, psiquiatra com formação em saúde mental do idoso, é o especialista mais indicado para esses sintomas. Geriatras e neurologistas também acompanham, e o ideal é que conversem entre si.

O que é SCPD?

É a sigla de sintomas comportamentais e psicológicos da demência. Reúne agitação, apatia, depressão, ansiedade, alucinações, delírios, alterações do sono e outros comportamentos que acompanham a perda de memória.